Resenha: O leitor – Bernhard Schlink

Drama, suspense, amadurecimento e paixão descrevem o sucesso alemão lançado na década de 90

Sabe aquelas pessoas que aparecem de repente, viram de cabeça para baixo nossas vidas, desaparecem do nada e só assim percebemos que mal a conhecíamos? O leitor, do alemão Bernhard Schlink, trata exatamente sobre isso. Em meio a um texto envolvente e recheado de detalhes, o autor nos leva a entrar num mundo de questionamentos, drama, suspense e, claro, paixão.

A trama conta, na primeira pessoa do singular, a história do jovem Michael Berg de 15 anos, que se apaixona por Hanna Schmitz, uma mulher 21 anos mais velha. A história se passa durante a Alemanha da Segunda Guerra Mundial, em que mesmo com uma diferença significante de idade os dois se envolvem em um caso.

O relacionamento tem início quando Michael, ao voltar para casa, passa mal e é ajudado por Hanna. Agradecido pelos cuidados e intrigado em saber mais sobre aquela mulher, o rapaz decide retornar para agradecer a “estranha” que lhe socorrera. É então, neste momento, que se inicia o romance que percorre todo o verão.

Michael não passa de um garoto que vive sua primeira experiência sexual com alguém do sexo oposto. Por outro lado, Hanna é uma mulher experiente, e sabe explorar muito bem sua superioridade em relação ao rapaz.

Uma de suas exigências depois das relações sexuais é que Michael leia em voz alta para ela clássicos de Tolstói, Dickens e Goethe. Apenas pede, sem dar muitas explicações.

Entretanto, o que tudo parece estar bem muda de cenário quando Hanna desaparece sem dar notícias. Michael fica completamente arrasado, mas segue com sua vida. Uma coisa que não muda é que o amor de adolescência permanecerá para sempre guardado na memória. Até que anos depois, quando se tornou estudante de direito, um professor orienta a turma a o acompanhar em um julgamento e, para a surpresa do rapaz, Hanna é uma das quatro rés julgadas pela morte de prisioneiras judias. Uma parte brilhante descrita pelo autor.

“Justamente porque ela se encontrava tão próxima e tão distante, daquela forma descomplicada, não quis visitá-la. Tinha a sensação de que ela só podia ser o que era para mim na realidade da distância. Tinha medo de que o mundo pequeno, leve e protegido dos bilhetes e fitas fosse artificial demais e vulnerável demais para resistir à proximidadereal. Como devíamos nos encontrar cara a cara, sem vir à tona tudo o que o que acontecera entre nós?”

Hanna trabalhou em um campo de concentração. Ela confirma os crimes que cometeu, é acusada de ser a autora de um relato redigido após o incêndio da igreja e condenada e prisão perpétua. Neste instante, Michael descobre o segredo que sua amante da adolescência esconde, mas não revela que o descobriu.

Mesmo com o avançar dos anos, Michael não consegue esquecer Hanna. Com uma filha e um casamento fracassado no histórico, sua vida amorosa sempre volta àquele verão em que se envolveu pela primeira vez com uma mulher. Devido a isto, ele toma a decisão de se reaproximar dela.

Bernhard Schlink encontrou o caminho para descrever uma história complexa, reflexiva e envolvente, além de personagens bem elaborados e, principalmente, o mistério decorrente de toda a narrativa. O livro começa e termina sem que o leitor consiga compreender realmente que era Hanna Schmitz.

O leitor tornou-se um sucesso mundial. Publicado em 1995, a obra de Bernhard Schlink ganhou ainda mais notoriedade quando um filme homônimo estreou no cinema.

Título: O Leitor
Autor: Bernhard Schlink
Editora: Record
Páginas: 294

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