Crônica

Apenas uma confissão 

Durante boa parte da minha vida, escondi quem eu realmente era por medo da reação das pessoas. Por pura insegurança e pela falta de conhecimento de quem sou de verdade.Tentei conter gostos, mudar atitudes e negar sentimentos. Porém, no fim, não adiantou nada.

Desde criança me interesso por maquiagem, roupas novas ou me sentir com boa aparência. Houve uma época em que até comprava revistas teens para aprender novos truques e acompanhar as tendências. Não vingou.

Na escola, fazia parte da turma do fundão. O clube dos garotos chamava mais minha atenção, já que eles preferiam falar de futebol do que do top 10 mais lindos da sala. Sem falar que precisava me manter bem informada com a tabela do Brasileirão. Motivo importante para participar do time de futsal feminino. Lá o estresse acabava, a quadra era minha segunda casa.

Todavia, era vaidosa. Passava a tarde no treino e, antes mesmo de ir, já preparava tudo o que era necessário para a sessão de beleza de quando retornasse.

No entanto, chegou um tempo em que isso começou a pesar. Muitas pessoas vinham até mim e, em muitos casos, o interesse só surgia por causa daquilo que elas ouviram a meu respeito. Quantas delas nem se quer faziam ideia de quem eu era e mesmo assim diziam me admirar? Várias!

Eu não queria aquilo. Não queria viver de aparências. Muito menos desejava que as pessoas se aproximassem de mim estimularas pelo que viam no exterior, do que eu fazia ou de quem eu conhecia. Meu desejo era que eles vissem quem sou por dentro e desta maneira quisessem estar comigo.

Foi então que decidi não me maquiar mais. Não como antes, com tanta frequência. As roupas extremamente básicas passaram a ocupar mais espaço em meu guarda-roupa e as revistas de moda deram lugar às científicas. Criei meu próprio casulo.

Essa situação perdurou por muito tempo e, em alguns casos, era até pior. Anos mais tarde, somando novas experiências, cai em mim de que não posso me privar daquilo que gosto por medo da aproximação das pessoas.

Deus foi fundamental neste processo. Ele me mostrou – e me mostra constantemente – quem eu sou. Os sentimentos, a intensidade, as manias, a aparência física – magrela – e tudo em mim provem e é para a glória exclusiva dEle.

Ele me deu uma identidade e por meio dela pude me olhar no espelho novamente sem temer que as pessoas venham até mim por causa do que veem por fora, pois tenho convicção de que o brilho do Espírito Santo é maior do que tudo que há em mim.

Agora visto o que quero sem peso na consciência, passo maquiagem quando tenho vontade e me olho no espelho com a certeza de que quem realmente importa sabe quem eu sou de verdade. 

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